A criação da Escola de Engenharia está diretamente relacionada ao nascimento de Belo Horizonte. A nova capital de Minas Gerais, inaugurada em 1897, também trouxe da antiga capital, Ouro Preto, a demanda pela criação de instituições de ensino. No dia 21 de maio de 1911, o prédio da Sociedade Mineira de Agricultura foi o palco de um encontro que definiria os rumos da formação acadêmica dos engenheiros em Minas Gerais e no Brasil. Coube ao Secretário de Agricultura do Estado, o Advogado José Gonçalves de Souza, presidir a reunião que fundou a Escola de Engenharia. Além do presidente, a reunião possuía outros 14 profissionais, em sua maioria engenheiros formados na Escola de Minas de Ouro Preto. Nessa reunião foi fundada a Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte, sendo José Gonçalves de Souza o seu primeiro Diretor. A primeira Congregação da Escola Livre de Engenharia foi constituída por seus 15 fundadores.

Fundadores:
• Agostinho de Castro Porto
• Álvaro Astolfo da Silveira
• Antônio do Prado Lopes
• Arthur da Costa Guimarães
• Benjamim Franklin Silviano Brandão
• Benjamim Jacob
• Carlos Leopoldo Prates
• Cipriano de Carvalho
• Fidelis Reis
• Joaquim Francisco de Paula
• Joaquim Júlio de Proença
• José Gonçalves de Souza
• Lourenço Baêta Neves
• Pedro Demóstenes Rache
• Pedro da Nóbrega Sigaud

A ata da instituição da Escola de Engenharia foi assim registrada:
Ata da Fundação da Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte, aos 21 de maio de 1911, centenário do grande brasileiro Christiano Ottoni. Domingo, 21 de maio de 1911, às 19h30min, no salão Nobre da Sociedade Mineira de Agricultura e edifício da Avenida Afonso Pena, esquina da Rua Tupis, reuniram-se para tratar da fundação de uma Escola Livre de Engenharia, em Belo Horizonte, os seguintes senhores: Drs. José Gonçalves de Sousa, Prado Lopes, Joaquim Francisco de Paula, Pedro Rache, Fidelis Reis, Benjamim Jacob, Benjamim Brandão, Agostinho Porto, Arthur Guimarães, Cipriano de Carvalho, Carlos Prates e Lourenço Baeta Neves, fazendo-se representar os Srs. Joaquim Proença e Álvaro da Silveira, respectivamente pelos senhores Prado Lopes e Joaquim Francisco de Paula. O Sr. Dr. Sigaud foi representado pelo Dr. Fidelis Reis que declarou também representar o Dr. F. Magalhães. Aclamado Presidente da reunião o Exmo. Sr. Dr. José Gonçalves de Sousa, Secretário de Agricultura do Estado de Minas Gerais, S.Exa. convidou para seus Secretários os engenheiros Arthur Guimarães e Lourenço Baeta Neves, dando como aberta a sessão para os fins que a motivam. Convidado para expor esses fins, tomou a palavra o Sr. Dr. Pedro Rache, que tratou do assunto, mostrando que a ideia da fundação de uma Escola de Engenharia em Belo Horizonte partira, havia tempo, de um grupo de engenheiros residentes nesta capital, os quais, encontrando decidido apoio de todos os interessados no progresso de Minas Gerais para realização do seu plano, e notadamente do Sr. Dr. José Gonçalves de Sousa, que espontaneamente se associou à ideia, só esperavam ocasião oportuna para pô-la em prática, na fundação da ‘Escola Livre de Engenharia’. Com os seus companheiros, achava que havia chegado a oportunidade esperada e, assim propunha, em nome deles, que se fundasse a Escola. Durante a exposição do Sr. Dr. Pedro Rache houve animada troca de ideias entre os presentes que, em apartes, fizeram ponderação sobre a questão de que se tratava. Em seguida, o Sr. Presidente fez diversas considerações a propósito do mesmo assunto, relembrando as vivas simpatias com que fora recebida a notícia divulgada pela imprensa sobre essa ideia que julgava vencedora, da fundação da Escola; e citou entre outros fatos, o telegrama de aplausos que o Sr. Vice-Presidente da República havia passado aos iniciadores de tão útil movimento pela difusão da educação profissional no Brasil, dotando-se Minas de mais um estabelecimento de ensino superior, em condições de satisfazer as necessidades no momento. Disse que considerava a iniciativa particular no terreno da instrução digna de todos os aplausos e que, apesar de já existir, em Minas, uma Escola Oficial que fazia honra ao Brasil, como a Escola de Minas de Ouro Preta, o Governo não devia ser indiferente a essa iniciativa da fundação da ‘Escola Livre de Engenharia’, dando-lhe o auxílio possível sem prejuízo das instituições oficiais. S. Exa. formulou depois as questões seguintes: 1ª ) Se era ou não oportuno fundar-se em Belo Horizonte uma Escola de Engenharia; 2ª) Quais deveriam ser, no caso afirmativo, os meios práticos de levar avante o estabelecimento da escola. Pondo em discussão a primeira parte, houve observações de quase todos os presentes, otimistas umas, pessimistas outras, concluindo-se pela oportunidade de fundação da Escola que foi posta em votação nominal e unanimemente aprovada, sendo de notar-se a feliz coincidência da “Escola Livre de Engenharia”, ser, assim fundada no dia do centenário de Christiano Benedito Ottoni; o inolvidável mineiro que mais elevou a Engenharia no Brasil. Passando-se à segunda parte das questões propostas, houve várias observações e foi lembrado o auxílio já votado pelo Conselho Deliberativo da Capital para uma escola que se fundasse sob o plano que se tinha em vista e já mais ou menos esboçado pelos promotores da nova Escola. O Sr. Presidente nomeou, duas comissões, uma para estudar as bases definitivas da fundação da Escola, revendo os estudos e regulamentos já organizados, e outra para tratar dos meios práticos e materiais para a realização do plano. Para a primeira comissão foram nomeados os Srs. Drs. Arthur Guimarães, Fidelis Reis e Pedro Rache e, para a segunda, os Srs. Drs. Benjamim Brandão, Benjamim Jacob, Joaquim Francisco de Paula, Antônio Prado Lopes e Cipriano de Carvalho. Não havendo mais nada a tratar-se, o Sr. Presidente levantou a sessão, depois de marcada outra para domingo seguinte, no mesmo salão e à hora que fosse previamente anunciada e de tudo mandou fosse lavrada a presente ata, assinada por S.Exa. e por todos os presentes à reunião de fundação da Escola Livre de Engenharia, escrita por mim, secretário provisório, que a subscrevo”.
Belo Horizonte, 21 de maio de 1911. Lourenço Baeta Neves

As aulas da Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte tiveram início no dia 8 de abril de 1912, já no inicio, na então Avenida do Comércio, hoje Santos Dumont, 174. Esse edifício, em outros tempos, havia sido Hotel Antunes e, posteriormente, Quartel da 2ª Brigada da Polícia de Minas Gerais. O prédio foi o primeiro edifício no hipercentro de Belo Horizonte e hoje, sob o nome de Edifício Alcindo da Silva Vieira, em menção a um dos Diretores da Escola e Reitor da UFMG, abriga o Centro Cultural.
Em 1927 é fundada a Universidade em Minas Gerais (UMG) constituída pela união das quatro escolas de nível superior existentes em Belo Horizonte: a Faculdade de Direito, a Escola Livre de Odontologia, a Faculdade de Medicina e a Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte. No ano de 1949, a UMG é federalizada. No entanto, só passa a se chamar Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a partir de 1965.
Em 1952, a Congregação da Escola de Engenharia aprovou o projeto para a construção de uma nova sede na Rua Espírito Santo, 35, também na região central de Belo Horizonte. Assim, é inaugurado em 1959, o Edifício Arthur Guimarães. Em seguida, o complexo da Escola de Engenharia foi ampliado com a construção do Prédio Álvaro da Silveira na Avenida do Contorno, 842.
Já em 1998, o Projeto Campus 2000 estabeleceu a construção, ampliação e reforma de sete unidades da UFMG. Entre elas estava a edificação do complexo de prédios da Escola de Engenharia no campus Pampulha. Em 2004, a nova e atual sede começou a ser erguida e em 2010 o processo de transferência da EEUFMG para o campus foi concluído.

EE_ontem_hoje

Primeira sede (1911 – 1959) – Segunda sede (1959 – 2009) – Sede atual (a partir de 2010)

Um dos alicerces para a criação da hoje Universidade Federal de Minas Gerais, a Escola de Engenharia completou em 2011 seus 100 anos de existência, agora totalmente integrada ao campus Pampulha.

Diretores e Vice-Diretores:

A construção desta Obra Centenária que é da Escola de Engenharia teve participação direta de cada um de seus ex-alunos, servidores e colaboradores. Representando toda esta comunidade merece destaque seus líderes Diretores e Vice-Diretores em seguida nominados:

Diretor

Exercício

Vice-Diretor

Exercício

 José Gonçalves de Souza

Junho/1911 a Julho/1916

 Álvaro Astolfo da Silveira

Junho/1911 a Março/1916

 Arthur da Costa Guimarães

Março/1916 a Fevereiro/1917

 Arthur da Costa Guimarães

Julho/1916 a Dezembro/1940

 Álvaro Astolfo da Silveira

Fevereiro/1917 a Agosto/1938

 Alcindo da Silva Vieira

Agosto/1938 a Dezembro/1940

 Alcindo da Silva Vieira

Dezembro/1940 a Novembro/1944

 Mário Werneck de Alencar Lima

Dezembro/1940 a Dezembro/1944

 Mario Werneck de Alencar Lima

Novembro/1944 a Julho/1964

 Christovam Colombo dos Santos

Outubro/1948 a Outubro/1951

 Cândido Hollanda de Lima

Outubro/1951 a Novembro/1962

 Joaquim Marcelo Klein Teixeira

Novembro/1962 a Junho/1964

 Joaquim Marcello Klein Teixeira

Janeiro/1964 a Outubro/1966

 Cássio Mendonça Pinto

Junho/1964 a Junho/1967

 Cássio Mendonça Pinto

Outubro/1966 a Junho/1971

 Iphygênio Soares Coelho

Junho/1967 a Junho/1970

 Hugo Luiz Sepúlveda

Junho/1971 a Junho/1975

 Maurity Augusto Pereira Neves

Novembro/1970 a Novembro/1974

 Hélio Antonini

Agosto/1975 a Agosto/1979

 José Carlos de Paula Figueira de Freitas

Janeiro/1975 a Janeiro/1979

 José Martins de Godoy

Setembro/1979 a Julho/1982

 Ernest Paulini

Setembro/1979 a Fevereiro/1982

 Élcio Marques Coelho

Julho/1982 a Julho/1986

 Ênio Medeiros Cunha

Dezembro/1982 a Julho/1986

 Ênio Medeiros Cunha

Julho/1986 a Junho/1990

 Ricardo Nicolau Nassar Koury

Setembro/1986 a Setembro/1990

 Ronaldo Tadeu Pena

Junho/1990 a Junho/1994

 Helder Antônio Guimarães

Setembro/1990 a Setembro/1994

 Aécio de Freitas Lira

Junho/1994 a Junho/1998

 Maria José Gazzi Salum

Setembro/1994 a Junho/1998

 Leo Heller

Junho/1998 a Junho/2002

 Ana Maria Gontijo Figueiredo

Junho/1998 a Junho/2002

 Ricardo Nicolau Nassar Koury

Junho/2002 a Junho/2006

 Rodney Rezende Saldanha

Junho/2002 a Junho/2010

 Fernando Amorim de Paula

Junho/2006 a Junho/2010

 Benjamim Rodrigues de Menezes

Junho/2010 a Junho/2014

 Alessandro Fernandes Moreira

Junho/2010 a Junho/2014

 Alessandro Fernandes Moreira

Junho/2014 a Junho/2018

 Cícero Murta Diniz Starling

Junho/2014 a Junho/2018

 

Secretaria Geral da Escola de Engenharia

Além dos Diretores e Vice-Diretores é importante destacar, como representantes dos Servidores, aqueles que tiveram e continuam tendo uma grande responsabilidade na construção e condução administrativa da Escola de Engenharia. Como registro histórico representando todos que contribuíram nas atividades administrativas, destaque para aqueles que chefiaram a Secretaria Geral da Escola:

SECRETÁRIO(A)S

PERÍODO (*)

  1. Lourenço Baeta Neves
21/04/1911 a 27/06/1911
  1. Acrísio Diniz
27/06/1911 a 12/11/1913
  1. Francisco Miranda Coelho
13/11/1913 a 21/02/1914
  1. José Olímpio de Castro
22/02/1914 a 23/02/1942
  1. João Domingos Pinto
24/02/1942 a 23/02/1949
  1. Nazareno Alphonsus de Guimarães
19/12/1949 a 27/12/1962
  1. Wilton Luiz Quintão
28/12/1978 a 07/06/1978
  1. Luiz Fernando Libânio Christo
21/05/1980 a 30/04/1982
  1. Maria das Graças Ramos da Silva
10/09/1982 a 05/07/1984
  1. Paulo Furtado da Silva
27/07/1984 a 21/05/1985
  1. Hernani José de Castro Junior
13/08/1985 a 19/06/1986
  1. Dulce Helena Rocha Franco de Melo
03/11/1986 a 09/06/1987
  1. Jarbas Bruno
14/04/1988 a 30/05/1990
  1. Elizete Maria da Silva Neme
09/08/1990 a 14/06/1994
  1. Ida Gracia Rossi
18/07/1994 a 16/05/1995
  1. Maria Inês Miranda de Souza
28/06/1995 a 18/06/1998
  1. Renata Alair Vianna Magalhães
14/09/1998 a 07/06/2002
  1. Hérika Sette de Almeida
09/08/2002 a 04/07/2003
  1. Rojane de Castro Batista
26/07/2003 a 23/06/2006
  1. Fátima Aparecida de Carvalho
18/08/2006 a 29/06/2007
  1. Áurea Domingos
24/09/2007 a 28/03/2008
  1. Fátima Aparecida de Carvalho
01/04/2008 a 30/09/2008
  1. David Salomão dos Reis
01/10/2008 a 28/06/2010
  1. Maíra Gomes Santana de Carvalho
29/06/2010 a 28/06/2014

Obs.: Algumas datas foram extraídas das atas das reuniões da Congregação da EE.

 

Depois do Centenário – Hoje e Amanhã

A Escola de Engenharia da UFMG já ultrapassou um século de existência com uma história de grandes realizações, sob o lema Scientia et Labor (Conhecimento e Trabalho). Hoje, a EEUFMG também pode se orgulhar de sua nova sede no campus Pampulha, com uma área aproximada de 65.000 m2. A EEUFMG é reconhecida nacionalmente e internacionalmente por sua competência e capacitação no ensino, na pesquisa científica e tecnológica e na extensão.
A comunidade acadêmica da EEUFMG é formada atualmente por cerca de 330 professores altamente qualificados, 160 funcionários especializados e 8000 alunos (graduação, pós-graduação, especialização e extensão). A estrutura administrativa é constituída por uma Diretoria e por 13 Departamentos e a estrutura acadêmica é composta por 11 Colegiados de Cursos de Graduação (sendo 13 ofertas de Cursos em 11 diferentes modalidades), 10 Colegiados de Programas de Pós-Graduação stricto sensu, 11 Cursos de Especialização e um Curso Intensivo de Preparação de Mãos de Obra Industrial (CIPMOI).
Dados de 2013, a Escola já formou mais 38.000 especialistas em diversos níveis, sendo 23.000 Engenheiros, 4.000 Mestres e Doutores, 4.000 Especialistas e 6.000 trabalhadores em mão de obra industrial.
Todos os departamentos da Escola de Engenharia são equipados com modernos laboratórios e desenvolve atualmente mais de 60 linhas de pesquisa, suportada por projetos financiados pelas principais agências de fomento nacionais e internacionais. Além disso, a Escola desenvolve continuamente mais de 300 projetos de extensão, com uma postura comprometida com a geração do conhecimento, com o desenvolvimento tecnológico do País e com uma atuação participativa e socialmente responsável para com a sociedade.
O principal objetivo e constante desafio da Escola de Engenharia da UFMG é formar engenheiros com elevadas capacitações técnica e criativa, tendo como preceitos básicos a responsabilidade socioambiental e o espírito crítico de suas próprias realizações. A Escola procura oferecer à sociedade o melhor e mais moderno padrão acadêmico e contribuir, decisivamente, para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social do Brasil, especialmente o do estado de Minas Gerais.